Quando estava começando a escrever meu primeiro livro, encontrei muitos obstáculos. Boa parte deles se devia a não ter encontrado ainda o meu método. Após ler muito a respeito do processo de diversos escritores, passei a ter uma visão mais realista e prática de minha escrita. Com o objetivo de ajudar quem está começando, ou até mesmo da satisfazer a curiosidade de alguns leitores, decidi explicar como funciona meu processo criativo.

Planejamento vs improviso


A grande maioria dos escritores de dividem entre esses dois métodos ou em misturas e/ou derivações dos mesmos. Fiz um vídeo sobre o assunto. Caso você não esteja familiarizado com esses termos, recomendo que o assista logo abaixo. É rapidinho.



Como você deve ter percebido, meu método mistura um pouco das duas coisas. Gosto de planejar minhas histórias, criar personagens e até mesmo de decidir o final antes mesmo de começar a escrever, mas acho fundamental ter a liberdade de alterar tudo isso durante a escrita. Não consigo trabalhar direito se os dois modos não estiverem em sinergia.

Transformando a ideia em outline


Tudo começa com uma ideia. Pode ser um plot, um personagem ou até mesmo um cenário. Se a ideia me deixar empolgado, pode ter certeza que será escrita.
Pra ser honesto, não tenho noção de onde brotam as ideias. Elas estão aí e de algum modo entram na minha cabeça. Qualquer coisa além disso seria pura especulação. O que eu faço é anotar essa ideia em um documento onde mantenho listado tudo o que acho que pode virar uma história. De vez em quando abro o documento e dou uma lida. Quase sempre surge alguma coisa nova, mesmo que eu decida não aproveitar nada do que esteja lá.
Quando a ideia está escolhida, começo a criar alguns personagens. Nesse ponto, tudo é um enorme rascunho e dificilmente permanecerá assim na história, mas é importante fazer o exercício para que eu descubra o que exatamente será escrito. 
Quando eu tenho entre 3 e 6 personagens criados, é hora de criar o outline. Pra quem não sabe, o outline é um resumo da sua história. Serve pra te guiar durante o processo de escrita e pra que você tenha uma noção, ainda que imprecisa, do que será escrito. Existe diversas formas de fazer um outline. Costumo usar o storyboard do scrivener.

Escrevendo até o final


Hora de escrever. Mantenho foco total na escrita com metas diárias de palavras. Em geral, já começo a escrever sabendo qual o tamanho que gostaria que a história tivesse. Raramente esse tamanho sofre alterações consideráveis.
Isto é muito importante pra mim: não paro de escrever até terminar a história. Não importa o quão ruim esteja. Preciso ir até o final antes de decidir mudar qualquer coisa que já tenha sido escrita.

O primeiro manuscrito


Quando termino a história, ela está pronta. Pra ir pro lixo!
Nunca mostro a ninguém o primeiro manuscrito de NADA do que escrevo. Acredito que eu mesmo lê-lo já é tortura o suficiente.
Não tem problema. A reescrita existe justamente pra isso. Deixo o primeiro manuscrito descansar por alguns dias. Depois, leio todo o texto e faço anotações de tudo o que não estiver funcionando. Acredite em mim: muita coisa não funciona de primeira.
Agora é hora de escrever a segunda versão. Ela já vai contar com uma série de ajustes e consertos, mas ainda está longe de estar finalizada. Com o segundo manuscrito concluído, mostro o texto pra alguém.

Idas e vindas


Costumo reescrever meus textos algumas vezes. Primeiro, passo por uma bateria de leitores beta. Em seguida, parto pra uma análise mais técnica onde contrato o serviço de leitura crítica e/ou edição. Atualmente, estou trabalhando com uma pessoa que está me ajudando a preparar meu próximo livro. Juntos decidiremos quais alterações precisam ser feitas para que a história fique melhor. Isso significa um número indeterminado de reescritas. Lembre-se: nunca tenha preguiça.
Existe alguns autores que tem receio de incluir outras pessoas no processo de finalização de seu texto. O autor sempre lerá coisas que não estão no texto. Você tem uma série de ideias e intenções para sua história que estão claras em sua cabeça, mas que podem simplesmente estar invisíveis no texto. Mostrar pra outras pessoas é uma forma de identificar o que está faltando ou sobrando. Encarar essa etapa como algo desnecessário é arrogante e amador ao mesmo tempo.

História pronta


Texto finalizado. Não significa que meu texto está perfeito. Significa que fiz o melhor que podia com a experiência que eu tinha durante a realização daquele projeto. É natural enxergar defeitos depois de publicado. O importante é usar esse conhecimento para melhorar os próximos textos. Agora é só escolher a forma de publicação. Até fiz uma postagem dando algumas sugestões para autores independentes.

Etapas adicionais


Histórias diferentes exigem processos diferentes. Ao menos pra mim. De maneira geral, costumo sempre seguir o que relatei acima. Em alguns casos isolados acabo adotando algumas etapas adicionais, como em um roteiro para história em quadrinhos no qual estou trabalhando. Trata-se de uma aventura fantástica em um universo criado por mim. Na hora de roteirizar as ideias, senti uma necessidade de ter o controle da localização geográfica dos personagens. Por isso, desenhei um mapa pra não me perder durante a escrita do roteiro.

Uma última consideração


Este é o método que costuma funcionar pra mim. Não significa que você precisa fazer a mesma coisa. Se ainda estiver tentando encontrar o seu processo, sinta-se livre para imitar algumas coisas que eu faço ou até mesmo modificá-las como quiser. O que importa é escrever.
Se você é um escritor/escritora e escreve para o mercado brasileiro, é muito provável que você seja independente, ou seja, não possua contrato com nenhuma editora. Ser um bom autor/autora não te garante a atenção de uma editora. Por isso, se não quiser abandonar sua paixão pela escrita, é quase certo que vai precisar se aventurar no cenário independente. Separei quatro dicas que apreendi nos últimos anos e considero fundamentais para que sua paixão pela escrita sobreviva.

Seja comprometido com seu texto


Pra começo de conversa, não tenha preguiça de reescrever, buscar leitura beta ou revisar seu texto. Não entregue qualquer porcaria. Trabalhe como se tivesse um contrato milionário assinado. Um dia, pode ser que você realmente assine um contrato. Se acontecer, é melhor que você já tenha aprendido a se comprometer com sua obra.

Coloque a mão no bolso


Ser independente significa que você tem poucos recursos. Não existe toda a infraestrutura de uma editora a sua disposição. Escrever algo e publicá-lo sem preparar o texto é amadorismo. Aliás, reduz drasticamente a chance de você ser levado a sério por leitores, colegas escritores ou editoras.
Seu texto precisa passar por algumas etapas antes de chegar ao leitor. Leitura beta (tem essa e essa postagem falando sobre o assunto), leitura crítica, edição, copidesque, revisão, diagramação, capa, projeto gráfico e o que mais você achar que pode agregar valor a sua obra.
Existem profissionais que prestam os serviços acima e eles não trabalham de graça. Nem deveriam. Separe uma grana pra investir nessas coisas. Pode parecer meio caro, mas você consegue bons resultados que terão o seu nome na capa. Vale a pena o esforço. Farei uma outra postagem explicando melhor essas etapas e como negociar com esses profissionais. Por hora, falemos sobre outra questão muito importante pra qualquer autor.

Construa uma base de leitores


Pra conseguir publicar e ser lido você irá precisar ter leitores. Essa dica é repetida a exaustão em tudo que é lugar. Uma base de leitores é um diferencial maior do que seu texto para boa parte das editoras brasileiras. Ninguém quer tomar prejuízo. Ninguém quer investir dinheiro e publicar algo que vai ficar encalhado nas prateleiras. Uma boa base de leitores reduz o risco do investimento para uma editora. Faz parte do mercado. Por mais que a gente não goste ou não concorde, precisamos aprender a conviver com isso.
Existem muitas formas de você criar uma base de leitores. Escolhi usar este blog e minha newsletter aliados a minha presença no twitter. Tenho tido resultados interessantes. Procuro sempre dar atenção pros leitores e colegas. Ser acessível é fundamental.
Mas este é o MEU caminho. Você pode fazer de outra maneira. Sendo colunista em um grande portal, criando seu próprio blog, integrando o time de um podcast, mantendo um canal no youtube e muitas outras coisas. Se você já faz algo assim, dê uma "profissionalizada" na coisa. Encare como sua vitrine. Muitos novos leitores irão te conhecer por suas postagens na internet. É melhor que sejam boas postagens.
Se você ainda não faz nada do tipo, sugiro que pense a respeito. Pode não ser o ideal pra você. Lembre-se, existem outros caminhos. Se concluir que este método pode funcionar, pense em começar algo relacionado ao gênero que você escreve. É uma forma natural de atrair pessoas interessadas em ler seus textos.

Conheça as plataformas disponíveis


Tá tudo resolvido. Escreveu e reescreveu feito um maníaco. Submeteu seu texto a todas as etapas de finalização. Arrumou uma capa bacana. Agora, onde publicar isso? Tentei responder isso em um infográfico.




Escrevi um texto sobre o assunto, essa semana. Mas a Mary Robinette Kowal fez um infográfico simplesmente matador. A mulher é tão gente-fina que prometeu fazer uma versão em pt-br caso alguém a ajudasse na tradução. É claro que eu e a querida Janaína P. Bianchi somos rápidos no gatilho e resolvemos ajudar para que os autores e leitores brasileiros pudessem entender melhor o material tão completo criado pela Mary. De quebra, ela ainda me autorizou a postar aqui. O resultado você confere logo abaixo:


Confira o original (em inlgês): https://www.patreon.com/posts/manuscript-arent-11552026


Existe uma etapa no processo de escrita de qualquer autor/autora chamada de leitura beta. É um momento importante onde se testa a obra em diversos aspectos. Isso acontece através de leitores que se propõe a ler um texto não publicado em troca de suas impressões sinceras.
Tenho vários leitores beta e também já fui leitor beta de outros autores. Por conta disso, decidi escrever esse artigo explicando o processo para novos autores, para que todos possam tirar o melhor proveito desse recurso. Importante: a leitura beta deve ocorrer sempre antes da edição, seja ela feita por uma editora ou por um profissional que preste este serviço para o autor/autora. É uma forma de deixar o texto um pouco mais maduro antes de ser submetido a uma edição mais meticulosa e técnica.

O que você vai precisar


Um punhado de leitores que aceite ler o seu texto. Não escreva um texto de terror e envie para alguém acostumado a ler apenas drama. Envie seu texto a leitores que gostem do gênero no qual você escreve. Lembre-se, você está testando seu público alvo. Não levar isso em conta é como desenvolver a receita de um bolo de chocolate e dar um pedaço para um diabético experimentar. Simplesmente não vai dar certo. Veja bem, nada impede que o seu livro seja lido por essas pessoas depois de publicado. É até desejado que você ultrapasse as fronteiras de seu público alvo. Mas durante a leitura beta, isso deve ser respeitado pela seguinte razão: se a leitura for frustrante, que seja por "erros" no texto e na narrativa, e não porque o leitor não gosta do gênero. Caso contrário, você desperdiçou o seu tempo e o tempo do leitor.
Costumo sempre enviar para os betas a segunda versão de meus textos. Acredito que a primeira versão ainda seja crua demais e que eu mesmo posso fazer uma boa revisada em vários pontos antes de mostrar a alguém. Mas isso é algo pessoal, você deve enviar a versão que achar melhor, sempre tomando o cuidado de não enviar nada muito cru.

Uma observação final, mas não menos importante: leitura beta não é um serviço profissional. Ou seja, não espere comentários técnicos sobre narrativa, construção de personagens, etc. Você pode até ter um leitor que entenda dessas coisas, mas os comentários quase sempre vão se limitar a "isso funcionou pra mim" ou "isso não funcionou pra mim". E é exatamente pra isso que a leitura beta existe: testar o seu público e entender quais são os pontos em que você precisa dar uma melhorada. O que nos leva ao próximo tópico.

Como reagir ao feedback


Essa talvez seja a parte mais importante de todas. Leitura beta não é uma massagem de ego. Você não deve mostrar seu texto pra ser elogiado. O objetivo é exatamente o oposto, você precisa DESESPERADAMENTE de críticas. Só assim você vai fazer com que seu texto fique menos óbvio ou amador. Além do mais, se você se ofende com críticas, dificilmente será um bom escritor(a). No começo é mais difícil, eu sei. Mas você pega o jeito. Entenda as críticas como uma chance de crescimento artístico e profissional e não como ofensas pessoais.

Uma observação final, mas não menos importante: Não se justifique para os leitores betas. Se eles fizerem perguntas, responda. Se eles apenas fizerem críticas, anote tudo e trabalhe em cima delas depois. É muito anti-profissional tentar rebater as críticas dos leitores dizendo coisas como "sim, mas..." ou "ah, mas você não entendeu...". Se o leitor não entendeu, você provavelmente não mostrou como deveria. Mas já estou entrando em um outro assunto. Falemos sobre ele.

Devo acatar todas as críticas e sugestões?


É óbvio que não. Se um leitor critica algo que não foi problema para os demais, talvez você possa manter aquilo em sua história. Quando vários leitores criticam a mesma coisa, você sabe que tem um problema sério que precisa ser consertado. Isso aconteceu quando eu escrevia meu livro. Após ele retornar da leitura beta eu percebi uma opinião quase unânime: o começo estava ruim. Lento e desinteressante. Entendi que precisava ser refeito. Apenas um dos meus leitores não reclamou disso, logo, seria problemático publicar o livro sem refazer o começo. No fim das contas, você é o autor. As decisões são suas. Use seu bom senso e leve em consideração as críticas, mas tome decisões. Algumas sugestões serão acatadas. Outras não. A vida segue.

Uma observação final, mas não menos importante: Uma coisa que eu costumo fazer é comparar as opiniões dos leitores. Se um leitor faz uma observação do tipo "esse final foi meio fraco", eu costumo perguntar para os demais leitores se eles concordam com isso. Mesmo que essa observação não tenha sido observada por eles em seu feedback, é uma oportunidade de descobrir se certas críticas isoladas precisam de fato da sua atenção. Mas cuidado, se for fazer isso JAMAIS exponha seus leitores. Nunca mencione nomes ou diga quem defendeu essas opiniões. Seja genérico "recebi o seguinte comentário. O que você acha disso?".

Mas o que acontece se eu receber apenas elogios?


Você, provavelmente, precisa de outros leitores beta. Isso não quer dizer que o leitor está errado. Apenas significa que você não tem como consertar o seu texto, afinal você não sabe quais partes estão mais fraquinhas. Não caia no mito de: meu texto está pronto, não precisa de nenhuma alteração. Somente os gênios-mutantes podem escrever algo incrível sem precisar de qualquer alteração. E você não é um gênio-mutante, caso contrário não estaria lendo este artigo.
Já aconteceu de eu receber um feedback 100% positivo. Não havia críticas sobre um texto, mas isso rolou apenas com um leitor. Os demais fizeram seus apontamentos normalmente. Se for esse o caso, não há necessidade de trocar de leitores beta. Só faça isso se nenhum deles criticar absolutamente nada. Ainda assim, os agradeça pelo tempo investido na leitura e os trate com respeito. 

Uma observação final, mas não menos importante: leitores beta não tem obrigação alguma de consertar seu texto pra você. Se eles não encontraram defeitos, você não deve acreditar, mas também não precisa tratá-los como leitores menores ou mais inexperientes. Algumas pessoas percebem mais detalhes, outras menos. Não há nada de errado com nenhum dos dois grupos.

Uma última recomendação


Envie o seu texto no formato que seja mais confortável para seu leitor. Uma leitura cansativa pode influenciar nas considerações de quem lê. Se o seu leitor costuma ler no Kindle ou em outros ereaders, providencie o seu texto no formato .mobi ou .epub. E não faça conversões toscas que deixam a diagramação parecendo o Jesus restaurado. 



Exporte os arquivos da forma apropriada. Procure tutoriais na internet. É mais fácil do que você pensa. Dica rápida: se você usa o scrivener, ele já faz isso por você.
Além dos dois formatos citados acima, ofereça também o .pdf. É um formato bastante pedido, já que os ebooks ainda são um pequeno nicho. Pode acontecer também do seu leitor pedir uma cópia física. Fica a seu critério decidir se vale ou não a pena.


Uma observação final, mas não menos importante: nem todos os leitores irão de fato ler o seu texto. Alguns vão se esquecer, ou até mesmo não terão tempo pra isso. Não fique cobrando. Seja paciente. Se o leitor não ler, não leve pro lado pessoal. Lembre-se: você pediu um favor. Dependendo do tamanho do seu texto isso significa que os leitores precisariam dedicar horas de seu tempo livre para você. É totalmente compreensível se você não quiser mais pedir a ajuda desses leitores para outros textos, mas não há necessidade de comprar briga ou ficar ofendido com isso. Vale lembrar outro detalhe: é de bom tom que você agradeça aos leitores beta em uma seção especial em seu livro quando ele for publicado. Não é algo obrigatório, mas é justo e muito bem-vindo.







Já faz um tempo que não atualizo mais este site. Passei a dedicar todo o meu tempo de escrita apenas a meus livros e roteiros. Decidi criar essa newsletter por duas razões:

1) Manter o contato com os leitores do site.
2) Avisar aos leitores quando houver novos livros.

A segunda razão talvez seja a mais importante. É, ao menos, a mais pedida pelos leitores. De vez em quando alguém entra em contato comigo pelo twitter ou facebook após ler meu livro. Fico feliz que as pessoas estejam gostando, mas é ainda mais gratificante quando os elogios vem acompanhado de um pedido: me avise quando publicar alguma coisa nova. Bem, esta newsletter resolve esse problema, o que me leva a parte mais importante deste texto.

O que vai ter na newsletter, afinal?

Além do meu diário de escrita, vou colocar mini-resenhas dos livros que ando lendo. Muita gente me pede recomendações do que ler ou até pergunta a minha opinião sobre algum livro. Esta será uma forma de eu fazer as duas coisas sem tomar muito do seu tempo.

Você vai me enviar quantos e-mails? Não quero saber de spam!

Calma, não vai ter spam algum. A newsletter será mensal. Não haverá datas específicas, mas você irá receber uma por mês. Essa frequência pode aumentar, mas só se os leitores quiserem muito.

Tá, mas quanto custa? E o melhor, o que eu ganho com isso?

Não custa nada. Você só tem que se inscrever com seu email. Além de receber um conteúdo bacana, eu sou adepto do princípio A LISTA SABE ANTES. Tudo o que divulgarei em minhas redes sociais será enviado para a newsletter antes. Além do mais, eu ouvi dizer que os inscritos poderão ler uns textos especiais, mas não conta pra ninguém. Ainda é segredo.

Se quiser se inscrever, vou até te ajudar. Não precisa rolar a página pra cima de novo, tem outro campo logo abaixo. 😉







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A leitura da semana é Laranja Mecânica, obra prima de Anthony Burgess. Uma obra densa, violenta e bastante reflexiva a seu próprio modo.

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No dia 28 de Setembro iniciei uma pesquisa neste blog sobre os hábitos de consumo dos leitores. O objetivo era entender quais as melhores formas de se publicar e vender um livro, na opinião dos leitores.
Tive ajuda de vários colegas escritores na tarefa, bem como do Pacotão Literário e do Clube de Autores de Fantasia para a divulgação da pesquisa.
Minha meta era atingir ao menos 100 respostas. Hoje, depois de mais de 40 dias de pesquisa, tenho 171 respostas para analisar e compartilhar com os demais escritores independentes, ou a quem possa interessar.

O PÚBLICO

Foram 171 respostas. 53,2% são homens e 46,8% mulheres.
52% dos entrevistados possuem entre 21 e 30 anos de idade. 21,6% estão na faixa entre 31 e 40 anos.
Como a pesquisa foi feita e divulgada exclusivamente pela internet, isso reflete apenas a faixa etária do público leitor que também é bastante ativo nas redes sociais, e não o mercado literário inteiro.

FORMATOS FAVORITOS

Como já era de se esperar, a maioria esmagadora dos participantes (88,3%) tem preferências por edições físicas tradicionais e/ou econômicas. Os livros digitais ficaram com a segunda posição (57,9%). Edições físicas de luxo e/ou com acabamento especial também tiveram números relevantes (45,6%).
Sobre os contos distribuídos em formato digital tivemos um curioso empate. 18,7% dos participantes afirmou comprar e ler contos avulsos de vez em quando. O mesmo número de pessoas diz não ter o hábito de ler em formato digital. A grande surpresa dessa pergunta foi a quantidade leitores (43,3%) que alegou nunca ter comprado um conto digital, mas demonstrar interesse em fazê-lo.

PREÇOS

Uma das reclamações mais frequentes é o preço que se paga nos livros, muitas vezes tornando a literatura um hobby caro para os leitores mais ávidos. Por isso, incluí uma sessão inteira na pesquisa dedicada a entender o que os participantes consideram um valor justo para os livros.
O livro físico em uma edição tradicional com cerca de 300 páginas foi avaliado entre 21 e 30 reais pela maioria do público (57,4%).
Para os livros físicos em edições especiais, também com 300 páginas, a faixa entre 31 e 40 reais ficou com 36,4% dos votos.
O público (36,4%) ainda considerou a faixa entre 6 e 10 reais como a mais justa para livros digitais de cerca de 300 páginas. Os contos digitais de até 50 páginas tiveram a maior votação na faixa até 5 reais (27,1%).

LIVROS DIGITAIS

Havia uma pergunta dedicada apenas a leitores que NÃO tinham o hábito de ler livros digitais. A intenção era saber a razão por traz da preferência dos participantes. A grande maioria (61,4%) simplesmente prefere os livros físicos, mas 38,6% das respostas marcaram como justificativa a falta de um dispositivo apropriado para leitura digital. Ainda houveram 36,1% que acreditam que o valor cobrado por livros digitais ainda não justifica a adoção do formato.

DECISÃO DE COMPRA

Nessa etapa, haviam vários critérios onde os entrevistados deveriam marcar um valor entre 1 (pouco importante) ou 5 (decisivo), para avaliarmos quais as principais razões para um leitor decidir comprar um novo livro. Segue abaixo as maiores porcentagens e valores recebidas por cada um dos critérios de compra. A lista está em ordem de importância para os leitores:

Qualidade de escrita: 5 (60,2%)
Livro em promoção: 5 (36,3)
Sinopse: 5 (31%)
Qualidade da revisão: 4 (38,6%)
Autor/autora: 4 (36,8%)
Preço: 4 (32,2%)
Projeto gráfico: 3 (42,1%)
Capa: 3 (34,5%)

Havia um espaço para que o entrevistado escrevesse outros critérios que considerava importante. Desconsiderei as respostas que envolviam críticas, resenhas e divulgação em geral por existir uma sessão inteira na pesquisa dedicada a isso. A maioria das respostas restantes apontaram o tema ou gênero como fatores importantes na hora de optar pela compra de um livro.

RECOMENDAÇÕES

Na pesquisa haviam oito opções de formas de recomendação de livros que os entrevistados deveriam conceder um valor entre 1 e 5, como na sessão anterior.
Segue abaixo, em ordem de importância para os leitores, a nota mais votada em cada uma das formas de recomendação de leitura.

Sites/blogs de resenhas: 4 (39,2%)
Recomendação de algum conhecido: 4 (37,4%)
Resenhas no Skoob, Goodreads ou outras redes sociais de leitura: 4 (29,2%)
Recomendações em grupos de leitura do facebook, google, whatsapp ou outros: 4 (26,9%)
Resenhas nas lojas online (Amazon, Saraiva, Livraria Cultura, etc): 3 (30,4%)
Resenhas em podcasts: 1 (31,6%)
Resenhas em canais do youtube: 1 (32,2%)
Recomendações de vendedores em lojas físicas: 1 (45%)

CONSIDERAÇÕES FINAIS

No último campo da pesquisa, os leitores tinham a opção de escrever quaisquer outras considerações a respeito de suas experiência como consumidores de livros. As respostas foram bastantes variadas, mas duas questões me saltaram a vista como temas recorrentes: o frete e os eBooks.
A primeira foi amplamente apontada como um dos maiores responsáveis pela desistência, bem como um dos fatores mais frustrantes para os leitores. Sobre a segunda, a surpresa foi uma recorrente vontade de se experimentar os eBooks, porém sob determinadas condições que envolviam quase sempre o formato, preço ou forma de distribuição dos mesmos.

A pesquisa vai ficar disponível na íntegra NESTE LINK para quem tiver interesse em analisar as respostas. Todos os resultados* estão liberados pela licensa Creative Commmons.


Licença Creative Commons
O trabalho Pesquisa: Conhecendo o Leitor de Lucas Mota está licenciado com uma Licença Creative Commons - Atribuição-CompartilhaIgual 4.0 Internacional.

*Os e-mails dos participantes foram excluídos das respostas para garantir a privacidade dos mesmos. Este é o único ítem da pesquisa que não estará disponível a ninguém.

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Ursula K. LeGuin foi ousada quando escreveu uma livro de alta fantasia com um protagonista e maior parte dos demais personagens com peles escuras, ao invés do clássico herói de pele branca e cabelos loiros. O Feiticeiro de Terramar marca o começo do mais famoso universo criado pela autora.

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Um dos maiores clássicos de Ernest Hemingway foi o escolhido da semana no Suposta Leitura. Conheça um pouco sobre O Velho e o Mar, ou relembre algumas de suas características mais marcantes.

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O livro da semana une ficção científica e comédia, temperado com cenas repletas de sarcasmo, ironia e non-sense. O Guia do Mochileiro das Galáxias é a obra máxima de Douglas Adams. Entenda a razão neste podcast.



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