1984 Diz Mais do Que Podemos Compreender

Sem dúvidas 1984 é um dos livros mais importantes da literatura mundial. Ouvi muito a respeito dessa obra durante anos - e talvez você tenha ouvido também - mas por alguma razão decidi lê-lo apenas esse ano. Antes tarde do que nunca, não?
Minha leitura foi concluída em julho, mas na ocasião não me dei conta do que acabara de viver através da leitura. Esse é um daqueles livros que você provavelmente vai ruminar por algum tempo até que possa entender melhor sua mensagem que apesar de direta, é também de uma profundidade capaz de alcançar a vida submersa ainda não catalogada.
Winston é provavelmente um dos protagonistas mais reais e próximos de seus leitores já visto em qualquer livro não apenas por ser apresentado como alguém insatisfeito com um vida que ninguém mais a sua volta ousa questionar e mesmo isso sendo um arquétipo recorrente em muitas outras histórias, aqui é executado com uma maestria ímpar. Isso por si só já garantiria a esse livro uma boa classificação, mas são as mensagens políticas e sociais contidas no texto de George Orwell e expostas de maneira crua e ao mesmo tempo de uma abrangência visceral aliadas ao contexto e época em que foram escritas que tornam 1984 acima de tudo um livro indispensável.
O lançamento ocorreu em 1949 e menos de um ano depois o autor faleceria deixando de presente para a humanidade seu último e mais brilhante livro. Orwell imaginou em sua época um futuro distópico e escolheu o ano de 1984 para situar sua história com alguns exageros propositais que após analisados com calma depois de uma primeira olhada se mostram assustadoramente reais e próximos daquilo que vivemos hoje e nas últimas décadas.
Não há uma intenção de solucionar os problemas do mundo através de uma crítica social de como nos organizamos como sociedade e sim em enviar um alerta para que cada um de nós se lembre o quão suscetíveis a manipulação somos.
A trama é densa, sombria, profunda e por vezes cruel, mas o texto nunca se transforma em um fardo para o leitor, fluindo sempre com naturalidade sem perder o ritmo. Além disso os personagens nos convencem com facilidade de que são importantes e esse mundo tão cruel e cheio de mistério e absurdos tratados como cotidiano nos deixa no mínimo curiosos para ver como Winston irá se relacionar com tudo aquilo que o cerca.
No terceiro ato há uma virada. Pode não ser tão surpreendente se comparado a certas obras mais recentes mas irá mudar o tom da narrativa para algo ainda mais drástico e conduzirá a história para alguns dos momentos mais sombrios e ao mesmo tempo reais que a literatura já viu.
Não foi a primeira vez que Orwell incluiu política e crítica em seu texto mas foi aqui que seu texto atingiu o ápice de sua carreira e maturidade como autor. A obra é tão densa que é difícil escrever sobre ela sem falar demais e estragar a experiência de novos leitores. 
Depois de tudo o que mencionei, a única coisa que posso acrescentar é que este não é apenas um dos melhores livros que li esse ano como também está entre os melhores livros que já li em toda a minha vida.

Nota: 5/5

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