Você Não É Tão Esperto Quanto Pensa


Confesso que essa não foi a leitura mais fácil do mundo para mim. Na verdade houveram pelo menos três ocasiões em que eu fiquei tão cansado que senti como se meus olhos tivessem rolado para fora de meu crânio enquanto eu expelia uma fumaça cinzenta pelos buracos recém abertos em meu rosto. Tirando isso até que foi uma boa leitura.
O livro é mal escrito? Não. É bobo ou possui informações rasas? De jeito nenhum! Então qual é o problema?
De fato, talvez pra você não haja problema algum. Pra mim houve. Foi o primeiro livro científico que li em minha vida, com exceção daquelas porcarias de livros didáticos que me empurravam na escola, é claro.
Você Não É Tão Esperto Quanto Pensa não é um livro científico feito para cientistas, ele foi feito para pessoas comuns como eu que não entendem muito de ciência mas gostam de pensar que sim de vez em quando.
O autor, David McRaney, é o criador do blog You Are Not So Smart (traduzindo: o título do livro) que tem como proposta trazer reflexões sobre as auto ilusões que nós todos temos. O negócio é que um dia alguém descobriu esse blog e fez uma proposta para que David organizasse alguns de seus textos em formato de livro e o resultado foram 48 capítulos que me lembraram a cada instante o quão imbecil eu posso ser as vezes. O livro pode acabar tendo um efeito parecido com você também, mas não se preocupe, segundo o próprio David, isso o torna são e, acrescento, humano!
O tempo todo esquecemos que somos tão limitados, cheios de inseguranças, mecanismos de defesa e dúvidas quanto o resto da humanidade. É muito fácil pra mim acreditar que eu tenho uma visão mais precisa e acertada da vida do que o resto do mundo, mas a verdade é que eu sou quase tão toupeira quanto uma toupeira. Todos somos, aliás.
Isso nem sempre é uma coisa ruim. As vezes nosso cérebro usa de artifícios automáticos sem percebermos mas que nos poupam de coisas extremamente desagradáveis. O ponto aqui é se deixarmos o automático ligado o tempo todo isso não vai nos ajudar a nos tornarmos pessoas melhores. Precisamos passar para o manual, pensar mais ativamente em certas atitudes e crenças pessoais e quem sabe até questionar boa parte delas. Não é assim que crescemos?
Para você ter uma noção melhor do que irá encontrar no livro separo abaixo alguns dos equívocos que mais me chamaram a atenção:

Equívoco: Suas opiniões são o resultado de anos de análise pessoal e objetiva.
A Verdade: Suas opiniões são resultado de anos em que você prestou atenção a informações que confirmavam o que você acreditava enquanto ignorava aquelas que desafiavam suas noções preconcebidas.
Equívoco: Quando você aprende algo novo, lembra-se de como já foi ignorante ou esteve errado.
A Verdade: Você geralmente olha para as coisas que acabou de aprender e assume que já sabia ou acreditava nelas o tempo todo.
Equívoco: Você sabe porque gosta das coisas que gosta e se sente da forma como se sente.
A Verdade: A origem de certos estados emocionais está indisponível para você e, quando pressionado a explicá-los, vai inventar algo.
Equívoco: Quando você argumenta, tenta se ater aos fatos.
A Verdade: Em qualquer argumento, a raiva vai tentá-lo a reformular as posições de seu oponente.
Equívoco: Descarregar sua raiva é uma forma eficiente de reduzir estresse e evitar descontar em amigos e família.
A Verdade: Descarregar aumenta o comportamento agressivo com o tempo.

Se identificou com alguma dessas acima? É bem provável que sim.
Isso não significa que o livro vai te descrever exatamente como você é e sempre será o tempo todo, ele apenas te mostra alguns conceitos que podem estar equivocados em você sempre apresentando diversos estudos de muitos pesquisadores que nos convence a no mínimo pensar sobre o assunto.
Não sei se irá te ajudar de alguma maneira, mas a mim com certeza ajudou a me lembrar que eu não sou essa coca-cola toda que eu pensava.
Vale pelo fator auto-descoberta e pela desconstrução do eu.

Nota: 4/5

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