O Clube do Filme Mostra Mais do Que Parte da História do Cinema


Não que contar a história do cinema seja uma tarefa fácil, rápida ou simples, mas essa não foi a grande preocupação de David Gilmour com este livro.
Pra começar é bom esclarecer que o autor nada mais é do que um jornalista canadense que mora em Toronto e já foi muito conhecido na região devido a um programa de TV que apresentou por lá anos atrás, ou seja, não tem nada a ver com o guitarrista do Pink Floyd.
Pela formação jornalística, o estilo de escrita de Gilmour é muito próximo do que veríamos em resenhas e vez ou outra crônicas, o que acaba limitando a estrutura do texto um pouco.
David tem um filho chamado Jesse que com 16 anos de idade começa a se mostrar um verdadeiro desafio para seus pais. O garoto não se dava bem na escola, até aí nenhum crime, mas também mostrava certos sinais que fariam seus pais (divorciados) se preocuparem com o seu futuro. Por outro lado, o jornalista estava em uma fase ruim em sua carreira, desempregado e com dificuldades até mesmo de conseguir algum freela se via à beira da frustração pessoal. Em meio aos conflitos que cada um dos dois possuía David fez um desafio a seu filho, prometeu que ele poderia largar a escola e ficar em casa sem trabalhar ou pagar aluguel com uma condição: os dois precisariam assistir juntos três filmes por semana, todos à escolha do pai.
É claro que Jesse achou que esse seria o melhor acordo que poderia fazer em sua vida, trocar a escola por cinema, e quem não acharia?
A verdade é que a proximidade dos dois devido ao "Clube do Filme", como eles passaram a chamar as sessões caseiras que faziam, começou a aumentar e quando menos esperava David estava conversando com seu filho sobre aspectos pessoais de sua vida e tendo a oportunidade inédita de deixar seus conselhos em meio aos dilemas do adolescente.
É claro que nem sempre foi fácil, Jesse possuía alguns problemas comuns a todos os adolescentes e outros que não deixariam nenhum pai no mundo dormir por um bom tempo.
O pai também tinha suas lutas e decepções. Além do fato de estar em uma fase ruim em sua carreira ele passa o livro todo se questionando se aquele foi o melhor método escolhido para ajudar seu filho a encontrar seu caminho e não raro se flagra assustado com a possibilidade de ter empurrado Jesse para o comodismo.
A parte boa do livro ter sido escrito por um jornalista especializado na sétima arte é a verdadeira aula que o livro se transforma em vários momentos nos apresentando curiosidades sobre alguns dos grandes clássicos do cinema, mas a maior lição deixada no relato biográfico de Gilmour está em enxergar a possibilidade de se estreitar relações familiares e até mesmo educar um adolescente usando a cultura como alavanca.
O Clube do Filme (The Film Club) não narra a solução de todos os problemas de Jesse, mas sim o processo de aproximá-lo de seu pai e por consequência entender aos poucos qual seria o melhor caminho a seguir. Também somos poupados de um final hollywoodiano cheio de satisfação pelas enormes vitórias de Jesse. O que temos aqui é uma história real de pessoas reais com problemas reais. Ainda assim um bom livro.

Nota: 3/4

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