Perdido em Marte


Ficção científica, exploração espacial, aventura e um pouco de suspense. Tudo isso é pra mim.
Andy Weir arriscou. Arriscou muito! Perdido em Marte (The Martian) é seu primeiro livro lançado, mas esse cara com certeza escreveu muita coisa antes disso. O que temos aqui pode ser muitas coisa mas nunca o texto de um amador.
Tecnicamente o livro está dentro de uma subcategoria da ficção científica denominada HARD, isso significa que ele trará muita explicação e/ou exposição científica inspirado na realidade (caso contrário teríamos uma fantasia). Quando se trata de explicar/expor alguma coisa em seu texto a coisa mais fácil é transformar a vida do leitor em uma solicitação contínua da morte. Só o público do Fantástico gosta de ser tratado feito burro, de resto as pessoas tendem a se irritar com qualquer exposição, o que torna a tarefa de expor algo através da escrita por si só desafiadora.
O desafio se multiplica quando a exposição é científica, seja ela real ou inspirada na realidade. Quer um exemplo? Lembras dos livros didáticos de química que você era obrigado a estudar nos tempos de escola? De zero a dez, qual o seu nível de interesse neles após cinco minutos de leitura? Se você é um ser humano normal provavelmente respondeu com um valor entre zero quarenta milhões negativos.
Minha limitação não permite avaliar se a exposição científica do livro de Andy Weir é real ou apenas inspirada, mas como leitor eu posso garantir que não tem nada de maçante nela.
O autor conseguiu muitas proezas nesse livro e como escritor posso acrescentar que ele conseguiu realizar algumas tarefas muito complicadas com sua escrita. Vamos a elas!
Pra começar, como já mencionado, a exposição nunca é um problema nesse livro. Tudo funciona muito bem sem estragar o ritmo e isso se dá principalmente pelo fato do personagem principal, Mark Watney, ter uma personalidade cativante. 
O cara é um astronauta que após um acidente em sua missão fica preso em Marte sem contato algum com seus colegas na espaçonave ou com a Nasa na Terra. Mark ser um cara otimista e bem-humorado colabora e muito para o ritmo da história. É muito fácil se importar com ele logo de cara e apesar de toda a tensão da situação em que ele se encontra, não são raros os momentos em que você irá sorrir ou até mesmo gargalhar.
O segundo grande desafio transposto por Weir se dá no isolamento do personagem principal. Um personagem ficar muito tempo sozinho em uma história, em especial se ela for escrita, é um convite ao cansaço do leitor. Como fazer com que uma história continue sendo interessante com apenas um personagem e suas ações descritos através de texto e mais nada? Não existe uma maneira fácil de se realizar isso, na verdade vários escritores experientes recomendam que os iniciantes evitem esse tipo de coisa. Andy Weir não só quebrou essa "regra" como conseguiu fazer com que os muitos capítulos em que Watney se encontra sozinho fossem tão divertidos quanto os demais, onde outros personagens aparecem.
O terceiro grande desafio superado foram as narrações do livro. Watney narra a maioria dos capítulos através de seu diário de bordo mas em várias ocasiões a narração muda para a terceira pessoa e a história continua caminhando com o mesmo ritmo visto antes.
Foram muitos os desafios que o autor superou, mas o quarto e último que irei mencionar nessa resenha se dá pela quantidade de personagens que essa história possui. São muitos e nenhum deles possui o mesmo tempo que Watney para nos cativar. O autor faz isso com tanta sutileza e maestria que eu cheguei ao final do livro com a sensação de que conhecia profundamente cada um deles.
O livro possui alguns defeitinhos e clichês, mas todo eles são facilmente perdoáveis diante da grandeza da história contada que ainda conclui nos brindando com uma mensagem otimista sobre a vida e o valor da persistência.

Nota: 5/5

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