Astronauta: Singularidade Tem Cheiro de Pulp

O clássico personagem de Maurício de Sousa era inspirado na ficção científica pulp apresentada ao mundo nas primeiras décadas do século XX. Elas vinham como compilações de pequenos contos e novelas em revistas de baixo custo, tornado-as uma opção de entretenimento acessível. É claro que ficção científica não era o único tema explorado pelos grandes autores que começaram sua carreira na época, mas também é inegável que astronautas com trajes extravagantes e capacetes arredondados ganharam o mundo e influenciaram grandes personagens da cultura pop, dos quais incluo Buzz Lightyear (Toy Story) e o nosso herói intergalático nacional com o traje em formato de ovo: o Astronauta!
Danilo Beyruth já havia demonstrado sua habilidade em fazer uma releitura do Astronauta com uma roupagem mais séria na HQ que antecede essa, intitulada Astronauta: Magnetar. Na ocasião ele optou por uma trama mais introspectiva e até existencialista, se analisada de certo ponto de vista, mas agora, sob orientações de Sidney Gusman, um dos maiores editores de HQ desse país, ele decidiu seguir por um caminho mais aventureiro, sem deixar de lado as facetas mais sombrias do personagem.
Astronauta: Singularidade é uma continuação direta da história que vimos antes, em Magnetar. O Astronauta agora está submetido a exames psicológicos para avaliar as sequelas de seu incidente narrado na HQ anterior. Em paralelo existe uma nova missão para a qual ele deve ser enviado e, pela primeira vez em sua carreira, acompanhado.
Beyruth brinca com vários clichês do gênero e quase sempre acerta na dose. A arte continua entregando exatamente aquilo o que a história pede. Um dos problemas fica no excesso de exposição, quase sempre trazida até nós pelas narrações de uma certa personagem. Poderia contar menos e mostrar mais. Os quadrinhos são a mídia ideal para esse tipo de coisa pois além do texto, também possuem a imagem para ser usada a seu favor. O vilão da trama também possui seus problemas, se mostrando um personagem previsível demais e com motivações pouco exploradas.
Um dos pontos fortes é a pesquisa do autor, que mais uma vez fez a lição de casa. Apesar de não ser o foco, o conteúdo científico da revista é bem acertado e funciona como um excelente cenário para a trama e um ótimo paralelo com o herói. As cenas de ação e aventura também estão bem resolvidas, despertando no leitor a emoção que se espera desse tipo de história. Também é muito fácil gostar do protagonista, não só por termos crescido lendo suas histórias, mas também por conhecermos cada vez mais esse "novo" Astronauta e o quão próximo ele pode ser de nossos próprios dilemas, ocasionalmente.
A HQ entrega o que promete e, apesar de ter deixado em mim um sentimento de que poderia ser melhor, foi uma boa leitura. É muito bom ver um dos personagens que marcaram a minha infância ganhando mais profundidade e, o que é melhor, com essa cara de ficção científica pulp!

Nota: 3/5

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