O Espadachim de Carvão e as Pontes de Puzur, Uma Mistura Perfeita Entre Aventura e Fantasia

Como criar um universo fantástico que, ao mesmo tempo em que se inspire nas grandes criações de seus ídolos, também possua características próprias que o torne único e inesquecível para os leitores? Eu ainda não sei a resposta para essa pergunta, mas aparentemente Affonso Solano sabe e escolheu o gênero aventura para dar vida a seu próprio universo. 
O Espadachim de Carvão e as Pontes de Puzur é o segundo livro que conta as aventuras que se passam em Kurgala, um universo tão bem criado e descrito que pode um dia vir a ser facilmente lembrado ao lado das já consagradas obras de Tolkien e C. S. Lewis, por exemplo.
A história começou em O Espadachim de Carvão, onde nos foi apresentado Adapak, uma criatura estranha, até mesmo para os padrões de Kurgala. No primeiro livro, Adapak se viu chutado para fora do mundinho no qual foi criado, sendo obrigado a encarar a vida real. No livro seguinte algumas coisas mudam. Ao invés de nos depararmos com duas linhas temporais acompanhando os passos de Adapak, temos apenas uma linha temporal dedicada ao espadachim, deixando o protagonismo da história para Puzur, um personagem até então desconhecido.
Alterar o protagonista de uma série de livros pode ser perigoso, sobretudo quando os leitores já se apegaram ao anterior mas, o trabalho de Solano surpreende outra vez. Não há problema algum em se acompanhar a história de Puzur, deixando os acontecimentos a Adapak em segundo plano. No fundo, isso apenas mostra que Adapak ainda está em sua jornada de autoconhecimento e continua aprendendo sobre Kurgala no processo. Apesar de não existir uma explicação clara, é notável que a história de Puzur, mesmo se passando muitos ciclos* antes do que a de Adapak, tem alguma influência na história do espadachim de carvão.
A prosa mantém o padrão enxuto e ágil, com descrições diretas e personagens críveis. Um ponto forte está nas motivações que, apesar de nebulosas em alguns casos, são críveis. A dualidade existente em Puzur também colabora para a riqueza da trama. 
O fator de universo expandido também está tão forte no livro quanto em seu antecessor, contando até mesmo com uma revelação muito importante no final da história a respeito de certos personagens dos livros de aventura lidos por Adapak em sua infância.
Apesar das muitas qualidades do livro, o que temos aqui é uma mistura profunda de fantasia e aventura, ou seja, é um livro de gênero. Se essa não for a sua praia, talvez seja melhor procurar outra coisa pra ler. Diferente do que alguns podem pensar, a série de livros de Solano é capaz de falar com adultos com profundidade o suficiente para não se parecer com títulos adolescentes. Tem um pouco de Conan, tem um pouco de Terra Média mas não se parece com uma das muitas cópias que vemos por aí. Kurgala possui personalidade própria e, depois de ler o segundo título da série, fico ainda mais empolgado para continuar conhecendo esse universo único. Estou certo de que, em algum lugar, Julio Verne e Tolkien sorriem orgulhosos.

*Ciclos são medidas de tempo em Kurgala, como se fossem anos para nós.

Nota: 5/5

Veja Também

Nenhum comentário:

Postar um comentário