Combo Rangers: Somos Humanos Se Aprofunda Numa Importante Lição Que Insistimos em Esquecer Todos os Dias

Combo Rangers - Somos Humanos
Eu possuo uma relação especial com os Combo Rangers. Cresci lendo suas aventuras, desde a época em que Fábio Yabu ainda as publicava em formato de flash, em um site. 
Com orgulho, posso dizer que os Combo Rangers possuem importância dupla em minha vida, tanto por terem estado lá durante toda a minha adolescência (e um pouco depois disso também), quanto por serem a razão por eu ter me tornado um escritor.
Hoje, um pouco mais de dez verões depois de ter conhecido os primeiros personagens de Yabu, pela primeira vez tenho a oportunidade de ler uma aventura do grupo super sentai brasileiro com os olhos de um escritor, ainda que aprendiz, e não apenas de um fã. Tendo dito isso, confesso que foi difícil deixar meu apego aos personagens de lado por um instante com o objetivo de escrever uma resenha mais honesta.
Combo Rangers: Somos Humanos é a segunda HQ de um trilogia que traz de volta o primeiro universo criado pelo autor. Tudo aqui é recheado de referências e inspiração aos grupos de heróis japoneses e americanos, mas sem nunca se tornar forçado.
Na HQ anterior, os protagonistas descobriam seus poderes e incentivavam um mundo cheio de humanos dotados de habilidades incríveis a se tornarem heróis. Isso é lindo, sempre foi e sempre será. Não há nada de errado em tentar extrair o melhor de si em busca de mais justiça, amor e paz, certo?
Na segunda HQ da trilogia não temos uma reflexão que descontrói o que foi dito anteriormente, mas sim uma continuação da mesma mensagem, dessa vez mais profunda, mais madura.
Já no prefácio o autor assume erros. Yabu fala de seus erros pessoais a respeito de ter omitido certos pontos da discussão que sempre levantou em suas histórias, mas isso não é feito com amargura. É feito com humildade. Somos Humanos no ensina uma boa lição, que foi primeiro aprendida pelo próprio autor. Talvez alguns de nós já tivéssemos aprendido essa lição e persistíssemos no erro de ignorá-la. Não importa o caso, os Combo Rangers estão de volta para nos ensinar algo outra vez.
Não tenho o hábito de dar spoilers em minhas resenha, e nessa não será diferente, mas gostaria de citar que o primeiro monstro dessa história a ser combatido pelos heróis é uma referência direta a todos nós. Eu me refiro aos seres humanos como um todo, é claro, mas posso acrescentar que cai como uma luva para o momento ideológico que estamos vivendo em nosso país. Todos nós fomos empoderados pela internet de alguma forma, seja com blogs e sites pessoais ou até mesmo nas, cada vez mais numerosas, redes sociais. Isso é bom, na verdade é ótimo! É muito satisfatório ter a oportunidade de escrever o que eu bem entender em meu blog, criar conteúdo, praticar minha escrita e evoluir como escritor ou como pessoa através de minhas pesquisas. Eu comemoro esse mesmo direito a todos os que tem as mesmas oportunidades que eu. Como a HQ nos ensina, ter poderes não é uma garantia de nos tornarmos melhores e muito menos desculpa para fazer o que bem entendemos. 
O lado perigoso disso tudo é que os poderes nos deixam mais confiantes, nossos egos inflam, nós passamos a acreditar que somos conhecedores da verdade e, por consequência, das respostas para todos os problemas que vivemos. Por isso lutamos. Lutamos todos os dias e dizemos o que bem entender, não importa se isso for apenas um discurso de ódio ou se nossas palavras machucarem alguém, afinal, “temos poderes” e “conhecemos a verdade”, não é mesmo? O monstro que citei há pouco nada mais é do que Yabu tentando falar sobre isso. Não entrarei em detalhes para não estragar a sua experiência de leitura, mas preste bem atenção no que irá acontecer a esse antagonista e lembre-se, existe um monstro da vida real, muito parecido com esse, que nós insistimos em alimentar todos os dias.
Procurei algum defeito técnico nessa história. Confesso que foi apenas para que essa resenha soasse um pouco mais sincera. O que encontrei foi apenas um pequeno detalhe nas duas últimas páginas em forma de exposição. Não há uma exposição exagerada o suficiente para que eu diminua a nota ou para que estrague parte da minha experiência de leitura, mas eu achei que deveria falar sobre o que me incomodou, mesmo sendo apenas um detalhe bobo e sem relevância.
Desde sempre, o meu personagem favorito no universo dos Combo Ranger foi o Pacificador. Nesse álbum sua participação é mínima, mas me arrancou muitas gargalhadas. Fox e seus companheiros continuam nos fazendo rir e refletir na mesa história, agora com uma roupagem mais bem acabada que revela não só o amadurecimento dos personagens, mas também do autor.
O ponto forte é sem dúvida a discussão aprofundada para a qual Yabu nos leva. O autor erra. Os Combo Rangers erram. Nós erramos. Nós humanos!

Nota: 5/5

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