Terminar Um Texto é Tão Importante Assim?

Imagem: Freepik
Se você veio atrás da resposta rápida, aqui está: sim e não. Indo mais a fundo eu diria que depende muito do escritor.
Não existe um método correto para se escrever, cada escritor usa aquilo que o deixa mais confortável. Em todos os casos, escrever não é uma tarefa fácil, considerando que estamos falando de um texto de qualidade, é claro. Escrever é quase sempre demorado, demanda tempo de pesquisa, leitura, ponderação e reescrita, muita reescrita! Por essas razão é recomendável que um escritor escolha os métodos que o deixem mais confortável para tal.
É claro que se perguntarmos a Stephen King, Neil Gaiman, Alan Moore, Richard Curtis, entre outros quais são os seus métodos favoritos, teríamos uma resposta direta e clara (ou extensa, complexa e abarrotada de referências, no caso do senhor Alan Moore), mas isso é porque todos eles possuem anos de experiência com a escrita.
Para um escritor iniciante como eu, pode ser difícil responder a essa pergunta já que precisamos experimentar alguns métodos antes que possamos dizer quais deles funcionam melhor para nós.
O começo pode se mostrar mais difícil do que imaginávamos, por isso eu considero importante identificar aquilo que funciona e o mantém motivado como escritor, ainda que seja uma coisa pequena.
Parece ser um consenso entre a maioria que chegar ao final de seus projetos é fundamental. Eu posso dizer que para mim funciona.
Há pouco mais de um ano comecei a escrever um livro. Não foi a primeira vez que tentei algo do tipo, mas foi a primeira onde levei a tarefa a sério a encarei como um trabalho, mesmo sem ter uma perspectiva real de que terei algum retorno financeiro.
Escrever um livro é difícil. É cansativo. Durante a primeira versão de meu livro, não foram poucas as vezes em que eu acreditei estar diante de uma tarefa maior do que eu poderia suportar. Todas as vezes em que eu me arriscava a ler algo do que já havia escrito chegava a conclusão de que talvez fosse melhor eu considerar investir em minha carreira de domesticação de coalas do Himalia, já que ela parecia trazer mais chances de sucesso. 
Tudo mudou quando eu cheguei ao final da primeira versão. Foi um final empurrado com a barriga, diga-se de passagem. Eu estava cansado da rotina a qual eu ainda não estava habituado. Escrever 2000 palavras por dia fazia eu me sentir tão esgotado quanto quanto um homem incumbido de empurrar as águas de uma praia de volta ao mar, ao final do dia. Nos últimos dois capítulos eu não sabia o que fazer com meus personagens e adotei a estratégia extremamente técnica do "assim está bom, terminei".
No mês seguinte nem encostei no meu texto aliás, nos seis meses seguintes. Comecei a escrever um segundo livro (no qual utilizei a mesma técnica suína descrita anteriormente), mas sabe qual foi a parte boa? Eu me senti bem. Eu havia concluído a primeira versão de dois livros no espaço de um ano, o que era muito acima da minha média de escrita anterior.
Terminar aquelas versões me deu ânimo, me fez acreditar que eu era capaz. Tive vontade de seguir em frente, continuar aprendendo e praticando o máximo de técnicas possível.
Hoje consigo escrever por dia um pouco mais do que estava habituado no começo de minha jornada. Consegui quase triplicar minha produção de textos esse ano com quatro novas versões do meu primeiro livro, dois contos, um projeto ainda secreto e os textos produzidos para este blog.
Não posso afirmar que terminar um projeto é fundamental para a sua formação como escritor, mas posso dizer que faz toda a diferença para mim. Eu posso olhar para os últimos dois anos e ver a quantidade de textos que fui capaz de produzir, mesmo que a maior parte deles ainda não estejam em um estado publicável.
Não importa o quão ruim esteja, e é bem provável que esteja muito ruim, mas concluir um texto pode trazer uma satisfação psicológica muito grande, sobretudo ao autor iniciante, e isso por si só já cumpre um papel fundamental na formação do escritor.

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