Herdeiros de Atlântida Inicia Uma Nova Saga em Um Universo Familiar


Eduardo Spohr fez história com A Batalha do Apocalipse. O fim do mundo foi o tema  de seu primeiro romance, que narrava a trama pelo ponto de vista dos anjos. Na vida real, uma grande batalha que durou anos foi travada para que seu livro finalmente fosse lançado. Eu estava lá. Acompanhei tudo desde o começo como um leitor que observa o crescimento de um autor como se fosse o seu próprio. Torci para que cada nova singela impressão do selo NerdBooks esgotasse tão rápido a ponto de justificar uma nova. Vibrei com o anúncio do contrato com um editora grande.
Em 2012 tudo ficaria maior com o lançamento de Herdeiros de Atlântida, o primeiro livro da trilogia Filhos do Éden. Sem saber ao certo quantos livros iriam compor sua nova saga, o autor nos apresenta Kaira e Denyel. 
O livro se passa no mesmo universo de seu primeiro romance, mas a primeira decisão acertada foi não dar continuidade a história de Ablon. Já tentaram criar sagas maiores do que o apocalipse. O resultado foi uma vergonhosa exposição de personagens e criação de subtramas ridículas (estou falando com você, Supernatural).
Aqui foi diferente. Spohr apostou em prequels, ou seja, histórias que se passaram antes dos eventos que culminaram no Apocalipse de seu universo. Conhecemos novos personagens em tramas bem menores do que as do antigo protagonista. As personalidades são marcantes. Ninguém é um herói perfeito ou pronto para salvar o mundo. Todos possuem inseguranças, fraquezas ou limitações. A melhor parte? Nada disso soa como um truque literário barato. Tudo é muito crível e rico, dentro da proposta do universo, é claro.
Para mim, o ponto mais forte foi, sem dúvida, o ritmo. Com capítulos ágeis e descrições bem construídas, somos levados em uma espécie de “road movie” com Denyel, o Querubim anti-herói e Kaira, a Ishim que luta para se lembrar de quem é.
O livro herdou outra característica de seu irmão mais velho e robusto: cenas isoladas e distantes dos protagonistas. É sempre um risco adicionar um flashback ou uma cena paralela em uma trama. Se não for bem feito, o leitor perderá o interesse e o ritmo de leitura. Não é o caso, felizmente.
Um antigo personagem conhecido dos fãs do livro anterior aparece pontualmente. Suas cenas explicam um pouco mais sobre o que está acontecendo naquele universo. Afinal de contas, por que os anjos estão caindo na porrada há tanto tempo?
Existe ainda um personagem novo. Aparece pouco, mas uma de suas cenas se tornou a minha favorita em todo o livro. Tudo indica que ele retornará no próximo livro e terá um papel mais importante para a trama.
Filhos do Éden começou bem. Estou ansioso para ler os outros dois livros. Leitura obrigatória para os fãs de fantasia.

Nota: 4/5

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