Resenha: Jogador Nº 1, de Ernest Cline


Vivemos em um mundo onde o entretenimento é constantemente recheado de referências. Sobretudo a obras que despertam alguma nostalgia nos adultos - que continuam tendo gostos que remetem a sua infância.
JOGADOR Nº 1 aposta nas referências. Homenageia abertamente a década de 80. Vale tudo: filmes, quadrinhos, livros, séries, jogos, RPG ou qualquer outro ícone pop da década. Quem cresceu nos anos 90, assim como eu, conhece boa parte dessas referências, já que muitas delas só se popularizaram no Brasil quase dez anos depois de seu lançamento oficial.
Admito que um livro cheio de referências oitentistas não parece lá grande coisa. A não ser, é claro, que ele as use como parte fundamental de sua trama.
Foi exatamente isso o que Ernest Cline fez. Sua grande ideia permitiu que ele despejasse uma quantia absurda de referências - às vezes mais de uma dezena em um único parágrafo - sem cansar o leitor. Elas são relevantes para a história. Ver os personagens dialogando a respeito é essencial para o desenvolvimento desta aventura.
Se trata de um jogo de realidade virtual. O jogador deve usar óculos esquisitos e um par de luvas para poder entrar no universo digital do jogo, onde ele se materializa como o próprio personagem que controla. O jogo é gratuito, o que colaborou para sua popularidade em todo o mundo. O grande criador dessa realidade alternativa morreu, mas não sem antes prometer sua fortuna de bilhões ao primeiro jogador que resolver sua “caça ao tesouro” através de três enigmas que beiram ao insano. Além do dinheiro, o vencedor receberá os direitos sobre o tal jogo para fazer o que bem entender.
O protagonista é um garoto com uma origem humilde. Sonha em encontrar esse “tesouro” para mudar de vida. Os vilões são membros de uma corporação que está contratando vários jogadores para resolver o enigma. Seu objetivo não é só o dinheiro, mas o controle e monetização do jogo.
Não estávamos indignados há pouco ante a possibilidade de certas operadoras nos cobrarem ainda mais por nossa internet? Pois é, não é difícil imaginar uma corporação gananciosa como uma vilã, seja lá qual for a história.
Este livro nos traz uma aventura divertida, ágil e despretensiosa. Por ser o romance de estréia do autor, são perdoáveis algumas cenas previsíveis e um ou outro clichê que habita o texto. Ainda assim, tudo isso é esquecível diante das boas ideias executadas aqui.
O principal destaque fica por conta dos conflitos, que aparecem nos momentos certos, aumentando o ritmo da narrativa e nos arrastando para o clímax.
Uma excelente recomendação para quem gosta de aventura, ficção científica e saudosismo com a década de oitenta.


Nota: 4/5

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