Resenha: Preacher (HQ)


Considerada por muitos a obra-prima de Garth Ennis (roteiro) e Steve Dillon (arte), Preacher é uma saga ousada. Para dizer o mínimo, é claro.
Através de 66 edições da HQ e mais 6 especias, somos apresentados a Jesse Custer, Tulipa e Cassidy. 
Tudo começa em um bar. Eles estão confusos e curiosos. Acabaram de se juntar. Através de flashbacks, contam suas histórias uns aos outros. Fica claro que os três possuem uma espécie de “lado negro” a superar.
Jesse, o grande protagonista, é um pastor com a própria fé em crise. Ele também possui uma série de hábitos questionáveis para um “homem do Senhor”, seja lá o que isso signifique.
Tulipa é uma das personagens femininas mais fortes a quem já tive o prazer de ser apresentado. Ela parece estar fugindo de um passado envolvendo uma profissão sombria. Possui uma personalidade marcante, agressiva. Ela me cativou em toda a trama por se recusar a ser tratada como uma “dama indefesa”, seja lá o que isso signifique.
Cassidy é o mais louco dos três. É como se ele não se importasse com o mundo ou com sua própria existência. Há momentos de sarcasmo sombrio ou cinismo mórbido vindo do personagem. É claro que ser um “vampiro junkie” colabora, seja lá o que isso signifique.
Tudo começa com uma igreja em chamas. Reverendo Jesse Custer agora está possuído por uma entidade chamada Gênesis. Pouco se sabe sobre a criatura, além do fato dela conceder a Jesse o “poder da palavra”. A habilidade consiste em forçar a qualquer um fazer o que ele quer apenas com suas palavras.
Os três se unem em uma espécie de caçada, onde seu alvo é o próprio Deus.
Preacher é, de longe, a história mais criativa e ousada que já li. Pra completar, é fortemente inspirada em conceitos religiosos.
Se você acredita que religião é algo sagrado, que deve permanecer intocado, passe longe desta HQ. Ennis toma muitas liberdades aqui, algumas delas podem até ser bem chocantes para alguns.
Agora, se você é do tipo que consegue separar as coisas e entende que uma obra de ficção não deve ser motivo para ofender suas crenças, talvez essa seja uma boa leitura. Se você gostar de suspense, fantasia, humor negro e um pouco de terror, é claro.
A narrativa é extremamente bem elaborada. O trabalho do roteirista se completa com o de Steve Dillon quase com perfeição. Na maior parte do tempo a história é uma leitura fluida, recheada de personagens insanos, curiosos e interessantes, tudo ao mesmo tempo.
Tenha em mente que o sujeito que escreveu essa história encontrou sua imaginação no esgoto de um necrotério construído em cima de um cemitério indígena. Não é uma história para se ler para as crianças. É algo insano, por vezes doentio, porém muito bem escrito.
Para ser justo, preciso apontar que os especiais são quase todos medianos ou bem fracos. Parte disso se deve ao fato de não serem ilustrados por Dillon, mas ainda assim, nota-se uma queda considerável na qualidade do texto. Não são indispensáveis para a saga. Aliás, eu recomendo que você sequer gaste tempo com eles.
Minha conclusão? Saga bem escrita com personagens tridimensionais. Tem altas doses de insanidade e ousadia, mas sabe de uma coisa? Em 90% das vezes, a loucura serve bem ao propósito da trama. 

NOTA: 4/5 (desconsiderando os especiais, é claro)

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