Primeiro Dia de Bienal de Quadrinhos Evidencia o Esmero Dos Artistas


Hoje encarei o primeiro dia da Bienal de Quadrinhos de Curitiba de 2016, outrora conhecida como Gibicon.
Fui disposto a cobrir todo o evento. Em menos de meia hora de andanças, me dei conta do tamanho de minha ingenuidade. Devido ao grande volume de publicações, palestras e oficinas concentradas, serei obrigado a escolher arbitrariamente alguns poucos stands ou mesas para reportar neste blog. Que os demais artistas me perdoem por eu não ser capaz de os dar a devida atenção.
Para hoje, trago três representantes que possuem trabalhos e propostas completamente diferentes.

A maior dificuldade não é criar o produto, e sim vendê-lo. - Marcelo Oliveira 

Em um corredor estreito demais para comportar o público, é possível encontrar a mesa da Loja Três Linhas. Fundada pela união do UCM Comics, estúdio de quadrinhos veterano de Curitiba, e por Atlan Coelho, ilustrador, a loja representa a união de forças entre artistas curitibanos que decidiram escavar seu espaço, pedra a pedra. Com uma estratégia de conquistar seu público aos poucos em cada um dos eventos de cultura pop de Curitiba - e de outros lugares, como Guarapuava - A Loja Três Linhas conta com um estoque de quadrinhos, fanzines, chaveiros, canecas, posters e o que mais der na telha.
“A maior dificuldade não é criar o produto, e sim vendê-lo”, diz Marcelo Oliveira, reconhecendo que todo bom artista independente não deve apenas se concentrar no polimento e finalização de sua obra, procurando também a melhor forma de apresentá-la as pessoas. Da loja, minha grande recomendação fica para o Tibazine. Em formato de fanzine underground, a publicação homenageia os grandes nomes dos quadrinhos undergrounds brasileiros. Remetendo a títulos como a saudosa Chiclete com Banana, o Tibazine satiriza, repleto de sarcasmo, escatologia e cinismo, o “curitibano médio”. Com um processo criativo muito natural entre seus idealizadores, o fanzine acaba entregando uma publicação que faria Robert Crumb sorrir de orelha a orelha.

Segunda edição do Tibazine.
Próximos aos stands de grandes lojas, em meio a alguns adolescentes sedentos pelo último número do Homem-aranha, me deparei com o Estúdio Invertido, também de Curitiba. Sob a liderança do talentoso Daniel Barbosa, o estúdio aposta em uma das mais belas coleções de posters e camisetas que já vi. Em um evento dominado por referências a filmes, quadrinhos e games, foi uma agradável surpresa dar de cara com dezoito ilustrações/estampas dedicadas e grandes clássicos da literatura. Cada uma delas com uma cuidadosa direção artística para homenagear as obras em grande estilo e ainda enfeitar as paredes e guarda-roupas dos leitores que, assim como eu, nem sempre encontram produtos que referenciam seus livros favoritos.

Clarice Lispector homenageada pelo Estúdio Invertido.

Por fim, fui apresentado a editora Mino, do outro lado do corredor. Tá bom, eu admito que é uma vergonha ainda não a conhecer, mesmo ela tendo faturado o HQMix de Editora do Ano, mas bastou cinco minutos para perceber que não havia sequer uma publicação mal acabada ou com uma capa desinteressante. No momento em que escrevo este texto, ainda não li nenhuma das HQs da editora, portanto não falarei sobre a qualidade dos roteiros. Mas posso dizer honestamente que o trabalho gráfico aliado as artes incríveis dos quadrinistas me fizeram sair do stand com três HQs na sacola, ainda decepcionado por não poder comprar mais.

A gente trabalha com o material que as pessoas querem guardar. - Janaína de Luna

Janaína de Luna é a mulher forte e incansável que garante o bom funcionamento da editora. Ao ser questionada pela razão de optar sempre por publicações com acabamento e impressão especiais, a resposta foi simples: “A gente trabalha com o material que as pessoas querem guardar”.
Com uma editora com pouco mais de um ano de vida, ela alega que a maior dificuldade está sendo divulgar suas publicações fora do eixo Rio, São Paulo, e Belo Horizonte, e ressalta o quão importante é o surgimento de outros eventos para auxiliar nessa tarefa.

Autores da editora Mino autografando suas obras e não bebendo em serviço, é claro.
Trabalhar com arte é difícil, mas não parece intimidar nenhum dos três exemplos que citei acima. Uma atitude como essa aliada a um material feito com tanto esmero é mais do que o suficiente para merecer ao menos um pouco de sua atenção.
Ainda restam três dias de evento, e a entrada é gratuita. Se estiver em Curitiba ou região, aproveite a oportunidade para visitar estes e outros stands incríveis. Mais informações: Site Oficial do Evento.

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5 comentários

  1. Muito bom o texto Lucas! Poderia me tirar umas dúvidas? Afinal, o evento é pagou ou não? Vi em alguns lugares que a entrada é gratuita e outro que o ingresso sairia por R$ 40,00 a inteira...

    Cosplays! Tu viu algum? !

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    1. Obrigado Márlon. Cara, a entrada é gratuita sim. A única programação inacessível são as oficinas, que são estão abertas a quem se inscreveu previamente. De resto, poderá aproveitar todos os stands. As palestras também são gratuitas, mas recomendo chegar um pouco antes do horário porque estão lotando fácil.

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    2. Não reparei nos cosplays, mas sempre tem alguns.

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  2. sei como é difícil cobrir um evento assim, já perdi muitas palestras e painéis por que eram no mesmo horário... T-T *hellodarknessmyoldfriend*

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  3. Sei da dificuldade de se cobrir um evento desses mas (fica a dica!): atente-se as mesas com os autores pequenos que lutam por reconhecimento. Editoras como a Mino e outras grandes estão lá pra engolir os pequenos que fazem do boca a boca, sua maior publicidade e (como o meu amigo Marcelo Oliveira bem disse) é importante vender. Infeliz o comentário da colega que diz que faz coisas para se guardar. Quadrinhos assim como livros são para serem folheados, lidos e amassados. Se a revista estiver bem amassada pode crer que é um quadrinho sensacional! hehe!! Abs!

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