Meu processo criativo: como escrevo uma história


Quando estava começando a escrever meu primeiro livro, encontrei muitos obstáculos. Boa parte deles se devia a não ter encontrado ainda o meu método. Após ler muito a respeito do processo de diversos escritores, passei a ter uma visão mais realista e prática de minha escrita. Com o objetivo de ajudar quem está começando, ou até mesmo da satisfazer a curiosidade de alguns leitores, decidi explicar como funciona meu processo criativo.

Planejamento vs improviso


A grande maioria dos escritores de dividem entre esses dois métodos ou em misturas e/ou derivações dos mesmos. Fiz um vídeo sobre o assunto. Caso você não esteja familiarizado com esses termos, recomendo que o assista logo abaixo. É rapidinho.



Como você deve ter percebido, meu método mistura um pouco das duas coisas. Gosto de planejar minhas histórias, criar personagens e até mesmo de decidir o final antes mesmo de começar a escrever, mas acho fundamental ter a liberdade de alterar tudo isso durante a escrita. Não consigo trabalhar direito se os dois modos não estiverem em sinergia.

Transformando a ideia em outline


Tudo começa com uma ideia. Pode ser um plot, um personagem ou até mesmo um cenário. Se a ideia me deixar empolgado, pode ter certeza que será escrita.
Pra ser honesto, não tenho noção de onde brotam as ideias. Elas estão aí e de algum modo entram na minha cabeça. Qualquer coisa além disso seria pura especulação. O que eu faço é anotar essa ideia em um documento onde mantenho listado tudo o que acho que pode virar uma história. De vez em quando abro o documento e dou uma lida. Quase sempre surge alguma coisa nova, mesmo que eu decida não aproveitar nada do que esteja lá.
Quando a ideia está escolhida, começo a criar alguns personagens. Nesse ponto, tudo é um enorme rascunho e dificilmente permanecerá assim na história, mas é importante fazer o exercício para que eu descubra o que exatamente será escrito. 
Quando eu tenho entre 3 e 6 personagens criados, é hora de criar o outline. Pra quem não sabe, o outline é um resumo da sua história. Serve pra te guiar durante o processo de escrita e pra que você tenha uma noção, ainda que imprecisa, do que será escrito. Existe diversas formas de fazer um outline. Costumo usar o storyboard do scrivener.

Escrevendo até o final


Hora de escrever. Mantenho foco total na escrita com metas diárias de palavras. Em geral, já começo a escrever sabendo qual o tamanho que gostaria que a história tivesse. Raramente esse tamanho sofre alterações consideráveis.
Isto é muito importante pra mim: não paro de escrever até terminar a história. Não importa o quão ruim esteja. Preciso ir até o final antes de decidir mudar qualquer coisa que já tenha sido escrita.

O primeiro manuscrito


Quando termino a história, ela está pronta. Pra ir pro lixo!
Nunca mostro a ninguém o primeiro manuscrito de NADA do que escrevo. Acredito que eu mesmo lê-lo já é tortura o suficiente.
Não tem problema. A reescrita existe justamente pra isso. Deixo o primeiro manuscrito descansar por alguns dias. Depois, leio todo o texto e faço anotações de tudo o que não estiver funcionando. Acredite em mim: muita coisa não funciona de primeira.
Agora é hora de escrever a segunda versão. Ela já vai contar com uma série de ajustes e consertos, mas ainda está longe de estar finalizada. Com o segundo manuscrito concluído, mostro o texto pra alguém.

Idas e vindas


Costumo reescrever meus textos algumas vezes. Primeiro, passo por uma bateria de leitores beta. Em seguida, parto pra uma análise mais técnica onde contrato o serviço de leitura crítica e/ou edição. Atualmente, estou trabalhando com uma pessoa que está me ajudando a preparar meu próximo livro. Juntos decidiremos quais alterações precisam ser feitas para que a história fique melhor. Isso significa um número indeterminado de reescritas. Lembre-se: nunca tenha preguiça.
Existe alguns autores que tem receio de incluir outras pessoas no processo de finalização de seu texto. O autor sempre lerá coisas que não estão no texto. Você tem uma série de ideias e intenções para sua história que estão claras em sua cabeça, mas que podem simplesmente estar invisíveis no texto. Mostrar pra outras pessoas é uma forma de identificar o que está faltando ou sobrando. Encarar essa etapa como algo desnecessário é arrogante e amador ao mesmo tempo.

História pronta


Texto finalizado. Não significa que meu texto está perfeito. Significa que fiz o melhor que podia com a experiência que eu tinha durante a realização daquele projeto. É natural enxergar defeitos depois de publicado. O importante é usar esse conhecimento para melhorar os próximos textos. Agora é só escolher a forma de publicação. Até fiz uma postagem dando algumas sugestões para autores independentes.

Etapas adicionais


Histórias diferentes exigem processos diferentes. Ao menos pra mim. De maneira geral, costumo sempre seguir o que relatei acima. Em alguns casos isolados acabo adotando algumas etapas adicionais, como em um roteiro para história em quadrinhos no qual estou trabalhando. Trata-se de uma aventura fantástica em um universo criado por mim. Na hora de roteirizar as ideias, senti uma necessidade de ter o controle da localização geográfica dos personagens. Por isso, desenhei um mapa pra não me perder durante a escrita do roteiro.

Uma última consideração


Este é o método que costuma funcionar pra mim. Não significa que você precisa fazer a mesma coisa. Se ainda estiver tentando encontrar o seu processo, sinta-se livre para imitar algumas coisas que eu faço ou até mesmo modificá-las como quiser. O que importa é escrever.

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