5 curiosidades sobre 1984, de George Orwell

Imagem: Oscar
Hoje trago o primeiro de vários textos com curiosidades sobre algumas das principais distopias da literatura. As cinco curiosidades de hoje são sobre a obra-prima de George Orwell: 1984

Caso você ainda não saiba, eu também estou publicando uma distopia. Para mais informações, CLIQUE AQUI.

Contagem regressiva para o domínio público

A obra já se encontra em domínio público em países como Canadá, Argentina, Austrália e África do Sul. No Brasil, a lei de direitos autorais protege a obra durante setenta anos. A contagem se inicia no dia primeiro de Janeiro do ano subsequente ao falecimento do autor ou do último co-autor vivo, caso a obra tenha sido feita em parceira. Como George Orwell faleceu em 1950, podemos concluir que sua  obra entrará em domínio público em 2021, ou seja, podem esperar uma enxurrada de publicações e formatos diferentes muito em breve. Isso, na verdade, vale para todos os seus livros e não apenas para 1984.

O título foi decidido às vésperas da publicação

O título era “The Last Man in Europe” (O último homem na europa, em tradução livre). Oito meses antes de sua publicação, Orwell teria enviado uma carta a seu editor onde revelava estar dividido entre este título e “1984”. O editor Fredrick Warburg optou pelo segundo, alegando ser esta uma opção mais comercial.

O grande irmão pode ter sido inspirado em uma das propagandas mais icônicas da história


Embora isso nunca tenha sido admitido pelo autor, especula-se que a imagem do grande irmão no cartaz descrito no livro tenha sido inspirada na famosíssima propaganda de guerra veiculada na Inglaterra, para alistamento na primeira guerra mundial. O cartaz trazia a imagem de Lord Kitchener, o então secretário de guerra britânico. É inegável que esta é uma das peças publicitárias mais influentes de todos os tempos, tendo sido copiada, parodiada e homenageada em inúmeros lugares. Há também quem defenda que o notável bigode de Kitchener tenha influenciado a descrição do grande irmão, no livro de Orwell.

C. S. Lewis não gostou muito do livro

O autor das Crônicas de Nárnia tinha uma visão de mundo mais otimista, como é possível ver em vários de seus livros ficcionais. Em seu On Stories: And Other Essays on Literature dedicou algumas linhas a analisar 1984, onde afirma que faltava credibilidade na relação de Winston com Julia, e especialmente na visão do partido sobre o sexo. Sua crítica mais dura foi endereçada ao cenário que, em suas próprias palavras, era “odioso ao invés de trágico”. C. S. Lewis possui uma importância incontestável para minha vida como leitor e escritor, mas sou obrigado a discordar dele nestas afirmações.

Aldous Huxley enviou uma carta a George Orwell

Aldous Huxley, autor de Admirável Mundo Novo, recebeu uma cópia de 1984 de presente, enviada pela editora a pedido do próprio Orwell. Embora a obra-prima de Huxley seja lembrada por muitos como um livro “parecido com 1984”, foi publicado originalmente 17 anos antes do livro homenageado nesta postagem. 
Em Outubro de 1949, Huxley enviou uma carta bastante cortês a seu colega onde, além de agradecer pela gentileza de o enviar o livro, se desculpa por demorar a lê-lo devido a uma extensa pesquisa que vinha fazendo. A carta é finalizada com uma curiosa reflexão e comparação a respeito dos futuros distópicos imaginados pelos dois autores. Enquanto o livro de Huxley apostava em um governo que obtinha controle através de drogas especiais e formas de entretenimento, Orwell imaginou o controle através da vigilância, violência e lavagem cerebral. Aldous Huxley dedica alguns parágrafos a argumentar que acreditava que o pesadelo imaginado por seu colegada iria, gradativamente, se moldar ao pesadelo imaginado por ele mesmo. A reflexão não poderia ser concluída de forma mais sombria:

“Enquanto isso, é claro, pode ocorrer uma guerra biológica e atômica de larga escala - e nesse caso nós devemos ter outros tipos de pesadelos quase impossíveis de se imaginar”.

A carta pode ser conferida na íntegra (em inglês) NESTE LINK 

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