5 curiosidades sobre o conto da aia, de Margaret Atwood

Imagem: Jessica Trevino
Hoje trago cinco curiosidades matadoras sobre O Conto da Aia, de Margaret Atwood. O livro foi publicado originalmente em 1985 e já recebeu adaptação para o cinema em 1990, mas foi com a série de TV de 2017, produzida pelo Hulu, que se tornou  mais amplamente conhecida.

Se você ainda não teve oportunidade, te convido a conhecer o meu novo livro, que também é uma distopia. Agora, vamos as curiosidades.

Margaret Atwood teve três grandes “pilares de inspiração” para escrever o livro

Segundo a própria autora, foram três assuntos pelos quais se interessou muito que a levaram a escrever o livro. Além das distopias literárias, também estudou o puritanismo americano do século 17 e os regimes totatilários ao redor do mundo. Seu interesse pelos três assuntos tornou possível não só escrever o livro como também enriquecê-lo com credibilidade cultural e política.

O livro começou a ser escrito em 1984, na Alemanha ocidental

Atwood estava na Alemanha ocidental cinco anos antes do muro de Berlim vir abaixo. Um local agradável para se escrever um livro, sem dúvidas, ainda mais se considerarmos que todos os domingos a força aérea da Alemanha oriental causava estrondos sonoros só pra assustar os vizinhos e lembrá-los do quão perto estavam. A autora ainda alega que visitou diversos países que ainda viviam atrás da cortina de ferro e cansou de ouvir histórias do tipo “isso pertencia a fulano, mas então ele desapareceu”. Suas visitas a esses países a fizeram presenciar a sensação de estar sendo espionada, o silêncio e as súbitas mudanças de assunto, elementos fortes em seu livro.

Fonte (em inglês): New York Times

A nome real de Offred nunca é revelado no livro, e existe uma razão pra isso

A protagonista, assim como todas as demais aias do romance, recebe um nome baseado em seu comandante. Em inglês, “of Fred” significa, literalmente, “de Fred”. A autora explica que escolheu não dar um nome real a sua protagonista em homenagem as pessoas que tiveram seus nomes trocados ou até mesmo apagados da história. Alguns leitores deduzem que o nome real de Offred é June, já que há uma passagem do livro onde alguns nomes são sussurados no dormitório e June é o único que não se repete o livro todo. Atwood revela que jamais teve a intenção de que esse fosse o nome de sua protagonista, mas que não se importa que os leitores a chamem assim. Aliás, até mesmo a série de TV a chama assim.

O livro NÃO é anti-religião, como sugerem alguns

Nas palavras da própria autora, que foi perguntada inúmeras vezes sobre este assunto: 

(…) o livro não é anti-religião. É contra o uso da religião para a tirania, o que é uma coisa completamente diferente.

A autora disse uma vez não considerar o livro uma “distopia feminista”

Margaret Atwood escreveu um texto em 2012 para o The Guardian, onde fez algumas considerações sobre sua obra mais famosa.

Em uma distopia feminista pura e simples, todos os homens teriam maiores direitos do que todas as mulheres. (…) Mas Gilead é a forma mais comum de ditadura: em forma de pirâmide, com o poder dos dois sexos no ápice, os homens em geral superando as mulheres no mesmo nível (…)

Fonte (em inglês): The Guardian

Em um texto mais recente, publicado no New York Times, a autora discorreu mais sobre o assunto, deixando claro que esta pode ser uma discussão mais profunda e ideológica, e não apenas semântica. Segue uma citação da própria autora no referido texto ao tentar responder a pergunta “O conto da aia é um romance feminista?”:

Se você se refere a um romance onde mulheres são seres humanos - com todas as variedades de personagens e comportamento que isso implica - e também são interessantes e importantes, e o que acontece com elas é crucial para o tema, estrutura e trama do livro, então sim. Nesse sentido vários livros são feministas.

Fonte (em inglês): New York Times

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