Top 10: Melhores distopias da literatura

Imagem: Lukasz Matuszek
Para celebrar o lançamento do financiamento coletivo do meu próximo livro, fiz uma postagem explicando o que é distopia. Hoje, preparei um TOP 10 especial com minhas distopias favoritas da literatura.

10. Ninguém nasce herói - Eric Novello


Essa é a publicação mais recente de minha lista. Eric Novello criou uma trama onde um personagem chamado Chuvisco luta contra um governo religioso e opressor de minorias sob o argumento de que são todos “profanos”. A grande sacada aqui é que Chuvisco é pacifista, rejeitando a ideia de qualquer luta através da violência.
É um livro que tem elementos distópicos mas repleto de existencialismo abordando dois temas muito pertinentes: quem somos em meio a tempo de crises e quem queremos ser.
Existem elementos de super-herói aqui, embora não seja nada daquilo que você espera. De forma criativa e elegante o autor acrescentou esta ideia sem nunca tirar a atenção do que o livro tem a oferecer de melhor.

9. Laranja mecânica - Anthony Burgess


Uma imaginação de um futuro onde a violência e crueldade parece ser o hobby favorito das gangues, o que é respondido a altura pela polícia. O protagonista é Alex, um encrequeiro que é pego pela polícia e submetido a um tratamento experimental e traumático de lavagem cerebral com a intenção de “curá-lo” de seus impulsos violentos e reintegrá-lo a sociedade mesmo que ele não esteja interessado em nada disso.
É um livro denso, cheio de neologismos e com uma temática sombria repleta de cenas indigestas. Não é pra qualquer um, mas sem dúvida tem muito a dizer.

8.  V de vingança - Alan Moore e David Lloyd


Esta é a única HQ da lista. Sua temática e execução são tão brilhantes que mereceu esta colocação. Alan Moore pode ser muitas coisas, mas não é um autor óbvio e muito menos inconsistente. Nada do que ele escreveu deve ser ignorado, mas esta história merece uma análise mais profunda do que a que farei neste pequeno espaço.
Trata-se da história de uma Londres totalitária, conservadora e vigilante. Um homem com identidade desconhecida decide que o chanceler, o líder político, não merece a autoridade que tem. O protagonista adota para si uma máscara de Guy Fawkes, homem que tentou destruir o parlamento inglês no passado, e trava uma engenhosa batalha que vai muito além de um herói de quadrinhos tentando salvar o mundo. A discussão política aqui é riquíssima e muito mais profunda em relação a adaptação para o cinema. O tema central é um embate direto do fascismo contra a anarquia, cada um com seus motivos, ideais e objetivos. Uma história para reler de tempos em tempos. Vale citar que a arte de David Lloyd não deve nada ao texto inteligente e competente de Alan Moore.

7. Fahrenheit 451 - Ray Bradbury


Aqui os livros se tornaram proibidos. Os bombeiros tem uma nova missão: ao invés de apagar fogo, são chamados para incendiar livros encontrados nas casas das pessoas. O protagonista é Montag, um bombeiro que vê todas as suas crenças confortáveis cair por terra ao ser chamado para incendiar os livros de uma mulher que se joga nas chamas para morrer queimada, preferindo acabar com a própria existência a viver em um mundo de manipulação e limitação do conhecimento.
Uma história poderosa que fala muito sobre alienação e a importância da liberdade do conhecimento, algo muito frequentemente combatido pelos governantes de qualquer país e qualquer inclinação política.

6. O conto da aia - Margaret Atwood


Este livro tem se tornado muito conhecido devido a adaptação para série, iniciada em 2017.  Conta a história de um país (Estados Unidos) que se tornou um estado religioso (República de Gilead) e altamente controlador. As pessoas estão divididas em castas com funções específicas. A protagonista é Offred, uma aia. Seu papel é claro: é uma das poucas mulheres férteis que ainda existem, portanto deve engravidar do comandante da casa onde trabalha para gerar um filho que será cuidado pela esposa de seu proprietário. Usada como um mero objeto e com todos os seus diretos caçados, Offred tenta sobreviver a este universo se apegando a pequenas coisas, mesmo que não sobre muito espaço para se ter alguma esperança.
O livro é pesado em sua temática e possui muitas cenas que incomodam, mas traz um alerta importante e convida o leitor a uma reflexão necessária e urgente.

5. Quem teme a morte - Nnedi Okorafor


Aqui o elemento disópico se mistura ao afrofuturismo e contra uma história fantástica a respeito de uma menina chamada Onyesonwu, que descobre gradativamente que sua vida será difícil.
O livro trata de temas sérios como estupro, sexismo, repressão sexual, preconceito e xenofobia. Embora ele tenha todas as razões para ser panfletário, o texto de Nnedi Okorafor passa longe disso, entregando uma história potente com cenas melancólicas, heróicas e cheias significado.

4. Androides sonham com ovelhas elétricas? - Philip K. Dick


Um clássico da ficção científica que inspirou o filme Blade Runner, embora a adapatação para o cinema tenha tomado muitas liberdades e se distanciado bastante da história contada no livro.
Aqui o tema central é a discussão entre o que é natural e o que é artificial. Em um futuro onde a natureza está minguando a passos largos, acompanhamos a trajetória de Rick Deckard, um caçador de recompensas que tem a missão de aposentar seis andróides, criaturas artificiais com corpos orgânicos que são proibidas na Terra.
Tem cenas de ação e uma pegada noir, mas o que deve marcar a leitura de qualquer um está no conflito entre o natural e o artificial.

3. Não me abandone jamais - Kazuo Ishiguro


Certamente é a distopia mais fora da curva desta lista. Seus elementos distópicos e de ficção científica são sutis O único aqui a ganhar o Nobel de Literatura (2017), traz uma história melancólica que fala muito sobre vida e morte e as inevitabilidades que encontramos entre as duas coisas.
Este é um caso em que revelar parte da trama pode prejudicar sua leitura, portanto me limitarei a dizer apenas que o texto não tem pressa alguma, vai com calma guiando o leitor por entre cenas simples e aparentemente sem importância para então amarrar tudo no final e concluir a leitura com grande chances de despedaçar o coração do leitor.

2.  Neuromancer - William Gibson


Aqui está outro livro difícil, com um texto denso e repleto de neologismos. Apesar de ser uma leitura saturada de informação, um recurso utilizado pelo autor de forma proposital, Neuromancer é um marco na ficção científica e distopia por várias razões. Além de ter chamado atenção da crítica literária mais conservadora, que costumava desprezar a ficção científica, também marca o começo de um dos sub-gênero mais interessantes: o cyberpunk. A atmosfera tecnológica e underground do livro o faz ser uma de minhas distopias favoritas. Suas reflexões sobre o futuro, o qual muito já se faz passado para os nossos dias, ainda são muito pertinentes.

1. 1984 - George Orwell


Não havia qualquer possibilidade do primeiro colocado em minha lista ser outro. É inegável a relevância desse livro, ultrapassando completamente as fronteiras da literatura. Influencia até hoje inúmeras obras e suas críticas políticas e sociais são tão afiadas que não parecem ter envelhecido um dia sequer. Além disso, também possui o equilíbrio exato entre crítica, trama, personagens e cenas de impacto. Essa combinação bem dosada representa para mim o melhor livro de distopia já escrito.

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Um comentário

  1. Comentário polêmico, li 1984, já adulto não achei lá essas coisas toda, overreact!

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