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3 de outubro de 2018

Suposta leitura - 06 - O mercado de ebooks no Brasil


Para entender um pouco o mercado de ebooks no Brasil recorremos a algumas pesquisas feitas recentemente. Além disso entrevistamos representantes de três editoras para ter uma opinião interna de quem trabalha com publicação e distribuição de livros sobre o assunto.


Participantes:

Links comentados:
Pesquisa retratos de leitura no Brasil: http://prolivro.org.br/home/confirme 

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ENTREVISTAS COMPLETAS:

Frede Tizzot (co-fundador da editora e designer e ilustrador) - Editora Arte & Letra


Por que não encontramos os títulos da editora no formato ebook?
O formato ebook não é algo que nos atrai muito, tanto no aspecto do livro como um objeto como sob o ponto de vista de mercado. Por várias vezes tentamos nos inserir nesse mundo ebook, mas encontramos algumas barreiras na distribuição, comercialização e na própria demanda por livros eletrônicos, principalmente tendo em conta nosso catálogo e nossa proposta editorial.

A editora possui uma relação especial com os livros físicos, tendo até publicações artesanais em seu catálogo. A experiência gráfica do leitor é tão importante pra vocês quanto o texto em si? O ebook ficaria “devendo” nesse aspecto?
Desde nossa origem tivemos sempre a preocupação de publicar bons livros, não só do ponto de vista literário, mas também do design. Tentando sempre proporcionar a melhor experiência de leitura. Isso foi o que moldou a Arte & Letra e o que nos possibilitou chegar até aqui. Estamos sempre buscando novas técnicas e novas ideias para criar diferentes suportes para os nossos textos. Tanto que hoje, após várias experiências em métodos artesanais de impressão e encadernação, montamos nosso próprio laboratório gráfico e estamos produzindo nossos próprios livros usando técnicas de risografia, serigrafia, xilogravura e encadernação manual. Valorizamos tanto o objeto livro quanto o texto literário, mas sem esquecer que este é o motivo essencial de qualquer de nossas publicações. E o ebook certamente não nos possibilita alcançar esses objetivos. Mas não é algo que ignoremos totalmente, pretendemos sim trabalhar com livros digitais.

Bárbara Prince (editora) - Editora Aleph


Livros físicos e ebooks tem desafios diferentes no Brasil. Como exatamente trabalhar com os dois ajuda a editora e quais são os obstáculos a serem superados para manter os dois tipos de publicação em sinergia.
Os e-books já são bastante presentes no Brasil. Dez anos atrás, havia uma discussão constante no mercado sobre a possibilidade de os e-books "matarem" o livro impresso. Mas hoje vemos que isso não aconteceu e que há bastante espaço para os dois suportes. As editoras tinham medo de que a venda dos e-books prejudicasse a dos impressos, mas a verdade é que há uma porção do público leitor que consome apenas o digital. Ou seja, se o seu livro não está à venda em e-book, esse leitor não vai comprá-lo.


Há uma frequência grande de promoções para os ebooks da editora na Amazon. Isso interfere de alguma forma na venda dos livros físicos? As promoções também ocorrem em outras lojas de ebooks online?
Promoções e descontos às vezes são definidos em uma parceria editora-livraria, e às vezes são definidos apenas pela livraria. São estratégias pensadas para cada momento do mercado, sempre visando melhorar as vendas em geral. É difícil mensurar vendas que deixaram de ser feitas por causa do suporte do livro, mas também acontecem muitas promoções para os impressos, agradando todos os gostos.

Clara Madrigano - Editora da Dame Blanche



Quais as principais vantagens e desvantagens de cada loja de ebooks para a editora?
Nós trabalhamos com a Bookwire, que faz toda essa parte de negociar com as livrarias por nós - e estamos imensamente satisfeitas com o serviço que ela nos presta.

Estrear no mercado com ebooks foi um acerto? A editora alcançou (ou tem alcançado) seus objetivos com esta estratégia?
Sim. Nós acreditávamos que havia um nicho de narrativas curtas fantásticas a ser explorado aqui no Brasil. Muitos escritores brasileiros escrevem fantasia épica, séries com três ou mais livros, e chega um ponto em que você se cansa um pouco dessas mesmas histórias. A novela e a noveleta são laboratórios interessantes para se desenvolver ficção especulativa que foge desses padrões. Sobre alcançar nossos objetivos - o que nós queríamos era não ficar no vermelho. Não ficando no vermelho, já nos daríamos por satisfeitas, e posso dizer que cumprimos nossa missão. A Dame Blanche já gera algum lucro e consegue bancar suas edições. Os autores ganham seus DAs, e essa era a coisa mais importante pra gente.


Existem planos para a editora se aventurar na publicação de livros fisicos?
Até existem, mas estamos esperando o catálogo crescer um pouquinho antes de passar para outra fase.

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