O amor é uma escolha


É claro que rolam alguns sentimentos, afinal seres humanos foram feitos para sentir coisas. É o que gente faz. Mas se você parar pra pensar até mesmo os sentimentos mais básicos como frio e calor, fome e sede, são passageiros. Não sentimos essas coisas o tempo todo. E para sentir estamos limitados a algumas condições. Para sentir frio, por exemplo, a temperatura precisa cair.
Não com o amor. Ao menos não pra mim. O amor não depende de condições externas ou do meu humor no momento. Não depende de porra nenhuma, se você quer saber.
Na verdade só depende disso: uma escolha. A minha escolha.
A gente tá completando três anos de casados. Na verdade completamos ontem, mas essa reforma em casa tirou a minha sanidade e só estou conseguindo escrever hoje.
Eu te escolhi bem antes de nos casarmos. Desde a primeira vez que a gente se encontrou as coisas pareciam certas pra mim. Sou um cara ansioso pra caralho, você sabe. Às vezes eu sofro com um bocado de coisas só porque meu psicológico acha que tem o direito de perder a compostura. Sabe quando a gente espera uma notícia importante? Tipo uma entrevista de emprego ou um pedido de namoro? Sempre me deu uma baita ansiedade passar por essas coisas. Menos em uma ocasião: quando te conheci. Não teve nada a ver com aquelas tentativas de relacionamento na minha adolescência em que eu só faltava ter um AVC de tanta ansiedade. Com você tudo me pareceu certo desde o começo. Me trouxe paz. E para um ansioso desgraçado como eu isso só podia significar uma coisa. Por isso minha escolha aconteceu rápido. Não fazia nem um mês que a gente tava saindo e eu já tinha certeza que era com você que eu ia ficar pra sempre. É claro, você me dizia em toda oportunidade que não queria se casar de jeito nenhum. Eu sei que não era pessoal e sim por um relacionamento frustrado no passado. Mesmo assim relevei tudo. Pensa bem: o cara que sofre de ansiedade por qualquer merda estava em paz. Não se deixou abalar em nenhuma das 469 vezes que você mencionou que jamais queria se casar com ninguém. Eu tava calmo como nunca estive em toda a minha vida. Só conseguia pensar: “Porra nenhuma, ela vai casar comigo sim. Só preciso ter paciência. Ela vai chegar lá”.
Pra minha sorte nem demorou para que você mudasse de ideia. No momento em que você me disse que não achava impossível se casar aproveitei a oportunidade feito um ladrão engravatado em brasília. Sequer te pedi em casamento. Foi mais como um aviso mesmo. Eu já tinha tanta certeza e estava tão calmo que nem passou pela minha cabeça que podia haver um não.
Em retrospecto chego a conclusão de que foi arriscado pra caralho, ainda bem que deu certo.
E a cada dia essa certeza só cresceu em mim: o amor é uma escolha. Ele não é um sentimento condicionado a alguma coisa. Podemos estar eufóricos ou cansados, felizes ou tristes, saudáveis ou doentes. Nenhuma dessas coisas importa. Também não importa as outras pequenas coisas não citadas e muito menos os nossos momentos de conflito. O amor está lá porque ele não depende de nada a não ser a minha própria escolha. Uma escolha feita por um cara ansioso em um raro, e até então único, momento de paz.
Já se foram três anos desde que nos casamos. E a escolha segue cada vez mais segura.
Te amo Gabe. A gente se vê pelo resto da minha vida.

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